sexta-feira, 8 de maio de 2009

crescendo na empresa

Já é sabido que os presentemente denominados profissionais em ascensão precisam desenvolver uma série infindável de competências e habilidades fundamentais.

O manejo eficiente dos pronomes por exemplo. Cuidadosamente usando sempre e somente a primeira pessoa singular do caso reto ao apresentar a um superior todo e qualquer trabalho / projeto / ação que tenha tido resultados positivos. Não importa se foi um trabalho da equipe. E não importa o quão ínfima tenha sido a suposta participação do relator. Na verdade quase sempre eles nem sequer precisam ter participação alguma para que assumam os méritos por determinada tarefa. Essa competência também é conhecida como arrotar coca-cola alheia.

Ubíquos em todos os aspectos relevantes da organização, profissionais em ascensão são sempre gentis com seus colegas e sinceramente preocupados com a melhoria do trabalho desses colegas. Por isso que eles estão sempre prontos a dar feedback. Não-solicitado. Geralmente irrelevante. E somente expressado em um tom perfeitamente audível no momento em que, casualmente, cruzar com esse colega no corredor coincidentemente bem em frente à porta aberta da sala do chefe. Adaptabilidade é outra característica fundamental para seguir sempre rumo ao topo. É a favor até que descobre que o chefe é contra, e aí é contra desde criancinha – e consegue que o chefe nunca perceba a contradição. Que? Eu disse isso? EU!? Nunca, você entendeu errado caro colega.

Sempre, a propósito, faz comentários maldosos sobre o chefe nos momentos de descontração com o caro colega. Só pro caro colega relaxar e começar a malhar o chefe. Mal sabendo o cc (ou sabendo mas se lixando a essa altura) que lá na frente, numa reunião qualquer com o chefe, sem querer, super constrangido pq nem é certo falar essas coisas, mas o Alfredo num anda muito satisfeito com o trabalho aqui não...

E nós deixamos de ser inocentes faz muito tempo pra cair naquele papo de consultor de RH que quem não é ético não cresce na empresa. Cresce sim. Resultado do efeito cumulativo de todas essas habilidades postas em prática, incansavelmente. Funciona, claro. Mas só em determinado tipo de organização. E com dado tipo de chefe. E só é crescimento no sentido mais limitado (e sem sentido) do termo.

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