terça-feira, 26 de agosto de 2008

txubí ornot txubí?


Sartre afirmava que estamos todos “eternamente condenados à liberdade”. Somos livres para escolher como vamos agir, o que iremos fazer e como nos portar. É inerente à nossa condição humana termos de fazer escolhas. O filósofo francês, ainda falando sobre o mesmo tema, salientava dois fatores:

Primeiro, que a nossa liberdade de escolha é sempre contextual – ou seja, nossas opções sempre são limitadas pela realidade ao nosso redor (realidade essa que, em grande parte, foi criada pelas nossas escolhas do passado).

Além disso, nossas decisões afetam as outras pessoas e o contexto ao nosso redor – e por isso, por mais livre que eu possa ser, não devo ser leviano com minhas escolhas. Somos seres sociais e interdependentes – os verbos sempre acabam por ser conjugados no plural. E mais o não-decidir não é uma opção. Afinal, não fazer nada já é, em si, uma escolha.

No mundo do trabalho não é diferente da vida. Todos os dias cada trabalhador toma inúmeras decisões, e essas decisões, por sua vez, geram conseqüências. Decidimos o quão bem vamos atender ao nosso cliente, o quanto vamos nos esforçar ao realizar nosso trabalho de rotina (ou se vamos fazer corpo mole), se vamos encarar uma situação inédita como um desafio ou como uma ameaça.

Uma decisão mal-tomada no trabalho pode gerar desde atritos até desestabilização da equipe, desde prejuízo financeiro até perda de funcionários, desde uma advertência até a perda do emprego. Portanto, muitas decisões no nosso cotidiano de trabalho são marcadas por um sentimento difuso de angústia.

Muitos métodos para a tomada de decisão já foram propostos por administradores, psicólogos e outros especialistas (pra não falar nos ditos especialistas). Modelos comportamentais, políticos e analíticos já foram propostos; bem como modelos que classificam as decisões a serem tomadas pelo seu grau de impacto e pelo grau de envolvimento de quem vai decidir.

Por exemplo, recomenda-se para decisões de alto impacto um grau de envolvimento mediano. Ou seja, para decisões que trarão conseqüências grandes, o ideal é que o nível de envolvimento emocional de quem irá decidir não seja alto demais, para não afetar a capacidade de julgamento, nem baixo demais, para não correr o risco de que quem toma a decisão venha a tomá-la de maneira superficial ou irresponsável.

Todos os modelos acabam por sugerir uma estrutura básica, que contem muito de bom senso: colha o máximo de informação possível, analise o contexto, considere as pessoas envolvidas, não perca de vista seu objetivo maior, peça conselhos e trabalhe em equipe para gerar alternativas, escolha a alternativa que se mostrar mais viável, decida e, se necessário, incremente essa decisão com uma nova.

Muitas vezes a alternativa que parecia genial na mesa de planejamento, que não tinha como dar errado, não gera os resultados esperados. Então, abra mão dela. Não se apegue demais às suas decisões. Num mundo que muda sempre, toda decisão certa terminará por, um dia, ser a errada.

A gente se vê.