terça-feira, 22 de julho de 2008

Você tem sede de quê?


A pergunta pode parecer meio irrelevante ou sem sentido à primeira vista, mas deixe-me fazê-la: pra que você trabalha?

Claro, existe uma série de respostas óbvias: “pra pagar as contas”, “por que eu preciso”, “por que se não trabalhar eu morro de fome, né?” (essa última, em geral, dita num tom de voz uma oitava mais alto que o normal e acompanhada por um menear de cabeça que parece afirmar que quem pergunta deve, fatalmente, ter alguma coisa faltando na massa encefálica ou pelo menos estar com o controle de bom senso em pane).

Vamos pensar, por um pouco, numa metáfora gastronômica. Se eu pergunta-se por qual razão você come, poderia receber outra série completa de respostas óbvias, todas dizendo mais ou menos a mesma coisa: “se eu não comer eu morro”. Ou seja, como por que preciso comer. O que só é verdade em partes. Claro, que se não comer você morre.

Mas se fosse verdade que comemos só por razões de subsistência toda a indústria alimentícia estaria resumida a algum tipo de fábrica de rações para humanos que produzisse um mix de todas proteínas, vitaminas e sais minerais que precisamos em uma pasta amorfa, sem cor nem cheiro e muito menos sabor. Averdade é que comemos por prazer, comemos por status, comemos pelo contato social e, é claro, também, eventualmente, comemos por ter fome.

Viktor Frankl foi aprisionado num campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial – nas chamadas “fábricas da morte”. Sobreviveu pra contar a sua história e percebeu uma coisa fundamental sobre os prisioneiros com os quais compartilhava o campo: aqueles que tinham um motivo para sobreviver (uma noiva esperando, uma profissão que amavam, um sonho para realizar, uma missão religiosa ou mundana) eram os que resistiam melhor, mais saudáveis e, por fim, sobreviviam ao campo.

De forma inversa e proporcional, aqueles cujas famílias tinham sido destroçadas, os que não tinham mais sonhos, planos, desejos nem esperanças eram os primeiros a sucumbir.

O grande problema da massa de trabalhadores hoje é a falta de motivo para o trabalho. Quando trabalha-se apenas para pagar as contas, e então fazer mais contas pra pagar no mês seguinte (num ciclo sem fim, como diria Simba) – quando, enfim, se fica carente de motivo, o desempenho é cada vez pior, o trabalho em si é um martírio, e o trabalhador tende a deprimir-se, angustiar-se e a apenas sobreviver (ou sub-viver) ao trabalho.

Do mesmo jeito que você não come só por ter fome, não deve trabalhar só por precisar do dinheiro. Encontrar um propósito, um sentido, um motivo irá catapultar seu desempenho profissional e – mais importante – incrementar imensamente sua qualidade de vida.

Trabalho deve ser a linha que costura nossos sonhos. O meio para obtermos aquilo que queremos – seja isso uma casa nova, uma vida familiar confortável ou viajar pelo mundo. E, por isso mesmo, deve tornar-se uma experiência fabulosa.

A gente se vê.