quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Oração dos Estressados, by Luís Fernando Veríssimo


Senhor, dê-me serenidade para aceitar as

coisas que não posso mudar,

coragem para mudar as coisas que não posso aceitar,

e sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tiver que matar por estarem me enchendo o saco.


Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje,

pois eles podem estar diretamente conectados aos sacos que terei que puxar amanhã


Ajude-me, sempre, a dar 100% de mim no meu Trabalho...

12% na segunda-feira,

23% na terça-feira,

40% na quarta-feira,

20% na quinta-feira,

5% na sexta-feira.


E... Ajude-me sempre a lembrar,

quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco,

que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar...


Que assim seja!!!


Viva todos os dias de sua vida como se fosse o último.


Um dia, você acerta!

sábado, 25 de agosto de 2007

Seleção Existencial

Chegam 700 currículos à mesa do diretor, concorrendo a um importante cargo. O diretor diz à secretária:

- Pegue os 30 que estão no topo da pilha e chame-os para serem entrevistados. Jogue os restantes no picotador de papel.

A secretária, dando opinião não-solicitada – como é obrigação de toda secretária – interpõe:

- O senhor está louco? São 670 pessoas! Provavelmente os melhores estão lá!

Ao que, sabiamente, o diretor responde:

- Eu não preciso de gente sem sorte ao meu lado!

Paulo, coach


Quem ouviu a bobajada de que “ninguém motiva ninguém” nos últimos meses, levanta a mão? Pois é, mais um excelente exemplo de como conclusões cuidadosamente pesquisadas e elaboradas academicamente tornam-se chavões inúteis e irrefletidos no contexto organizacional.

Paulo, o apóstolo que escreveu mais ou menos um terço do novo testamento, tinha uma didática muito interessante ao lidar com grupos diversos de pessoas, que vou chamar de metodologia do “assuma sua responsabilidade”. Um exemplo explícito disto está na epístola aos Colossenses, no capítulo 3. Paulo instruí, por exemplo, os filhos a serem obedientes aos pais, e os pais a não causarem ira a seus filhos.

A cada grupo ele fala sobre sua própria responsabilidade na relação. E isso é genial por limitar a nossa tendência inescapável de ficar na defensiva e transferir a responsabilidade. Que é exatamente o problema dessa teoria de que ninguém motiva ninguém.

As pesquisas e estudos mais recentes apontam (e reforçam) que motivação é diretamente ligado a necessidade. Ou seja, determinada coisa só é motivadora se aquele indivíduo específico sentir, em algum nível, necessidade desta coisa.

Assim, um prato de lentilhas é extremamente motivador para quem morre de fome – mas bem pouco estimulante pra uma pessoa bem alimentada. Um executivo diante de cem reais: “isso é pro troco?”; Um estudante universitário diante de cem reais: “quem eu tenho que matar?”

Então, nesse sentido específico motivação é um fenômeno interno e pessoal, portanto, as pessoas seriam, prioritariamente, auto-motivadas (ou auto-DESmotivadas). No entanto, nossas motivações enquanto espécie (como já preconizava o obtuso do Maslow) são similares (comer, beber, dormir, trepar, segurança, afeto, auto-realização), além disso, como provam constantemente os marketeiros, necessidades podem ser criadas, ampliadas e inflacionadas.

Ou seja, se por um lado a motivação é pessoal, por outro ela pode ser catalisada.

Usando a didática de Paulo, cada profissional deveria focar-se na possibilidade e importância da auto-motivação. E cada líder/gerente/gestor deveria estar cônscio da necessidade, importância e forma de motivar aqueles sob seu “regime”.

A falta da didática paulina cria uma distorção grosseira, onde os liderados atribuem a desmotivação e o péssimo clima organizacional ao gestor, que não motiva; e o gestor, por sua vez, defende-se com o bom (e ainda não velho): “ninguém motiva ninguém, esse bando de vagabundo tem de se auto-motivar”.

Ninguém assume responsabilidades e a gestão de pessoas continua sendo só palavreado bonito.

domingo, 15 de julho de 2007

QWERTY


Se você está se perguntando o que seria qwerty, pare por um segundo e olhe pro seu teclado... a menos que você seja um nerd total, do tipo que estuda ciências da computação, deve ter acabado de perceber que QWERTY são as seis primeiras letras na seqüência de distribuição no teclado. Não sei se você já se perguntou a razão das letras estarem dispostas desta forma no teclado. A resposta, pasmem, é pra DIFICULTAR a digitação, DIMINUINDO a velocidade média do digitador.


Imagine que você está criando o primeiro teclado do mundo. Qual seria a primeira ordem que você pensaria pra distribuir as letras? Foi exatamente isso que os primeiros criadores de máquinas de escrever, salvo engano no século XIX, fizeram – distribuíram as letras no teclado das máquinas em ordem alfabética. Só que, com essa divisão, todas as letras mais usadas nas línguas neo-latinas (português, inglês, francês, etc) ficam agrupadas muito próximas, permitindo que os dedos mais fortes (o indicador e o pai-de-todos – também conhecido como “dedo-de-dar-dedo”) trabalhassem nessas letras.


Qualquer zé mane, nessa configuração alfabética, digitava muito mais rápido do que um digitador mediano com a configuração qwerty. O problema é que a datilografia em alta velocidade fazia com que os tipos enganchassem uns nos outros, interrompendo freqüentemente o trabalho. Assim o modelo qwerty foi pensado como uma solução, de forma que as teclas mais usadas fossem para a periferia do teclado deixando os dedos mais fracos responsáveis por acioná-las. A, S, E, M, por exemplo. Numa digitação profissional elas são acionadas pelo dedo anular ou pelo mindinho (também conhecido como “dedo-de-cobrador-de-ônibus-deixar-a-unha-grande-para-tirar-cera-do-ouvido”). E mesmo que você cate milho, procurar letra a letra na disposição qwerty é um processo mais lento do que em um teclado de distribuição alfabética.


Sempre que explode uma nova moda organizacional, fico fazendo o bolão pra ver quanto dura – até sumir, ser relançada com um novo nome, numa embalagem mais vistosa e fingindo ser uma coisa diferente. Talvez até use umas palavrinhas japonesas bonitinhas no meio pra dar aquele charme. O pior é que todo mundo tem que saber, ou fingir que sabe, cada nova moda ou novo livro definitivo da semana, pra não “estar desatualizado”. Sinto meus neurônios morrendo lentamente cada vez que penso em Monge e Queijo.


(Claro que lá no fundo eu invejo profundamente os Spencer, Cury, Taylor e Johnson da vida – sou doido pra repaginar umas idéias que existem a centenas de anos e apresentar como minhas, ficando rico e sendo pago pra falar superficialidades emocionantes em palestras de 300 conto por cabeça)


Uma das coisas úteis de todos esses modismos (e que logo se tornou inútil pela banalização, e pela superficialidade decorrente do se tornar banal) foi a noção resgatada de paradigma. E da necessidade de revê-los – oops, “quebrá-los”. Voltemos ao qwerty: com o advento dos computadores a razão de ser da distribuição qwerty deixou de existir, mas mantivemos a prática pela força do hábito. Algumas companhias tentaram fabricar teclados com distribuição alfabética mas, até onde sei, nenhuma conseguiu grande sucesso. Isso por que resistir à mudança (ai ai, mr. Johnson) está no cerne do nosso comportamento defensivo-acomodado. E aí é que as modas organizacionais ganham força – você pode mudar a linguagem, mudando muito pouco no seu comportamento. Às vezes parece que realmente acreditamos que falar diferente nos torna necessariamente diferentes. O “quebrar paradigmas” se espalhou por áreas tão diversas que está próximo de ser incorporado ao nosso senso comum, sem nenhum tipo de reflexão. Em algumas organizações, quebrar paradigmas tornou-se um paradigma. Algumas ações absurdamente estúpidas e sem sentido são implantadas tendo como única justificativa o fato de que “estamos sendo inovadores e quebrando paradgimas”.


Acho que entre escorregar para uma iconoclastia burra e estagnar na nossa zona de conforto suicida, deve-se começar a pensar nos hábitos e comportamentos organizacionais (“paradigmas”) questionando suas razões de ser. Se estas deixaram de existir ou de fazer sentido, jogue o hábito pela janela. Se elas ainda existem e fazem sentido no seu contexto, defenda o hábito/comportamento que elas sustentam com unhas e dentes contra os modismos organizacionais.


PS – continue freqüentando as palestras de 300 conto/cabeça. Um dia quero cobrar o mesmo sem ser incoerente ;)

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Reunião

Fazer reunião é algo inerente à natureza pouco prática e desesperadamente social (carente) do ser humano. As reuniões servem pra muita coisa - botar o papo em dia, saber quem tá catando a dona Gisele do Recursos Humanos, comentar do decote da nova recepcionista - mas trabalho não é uma delas. Em alguns ambientes a cultura da reunião é tão assustadoramente presente que há reuniões sobre reuniões, ou reuniões do que faríamos se alguém aqui trabalhasse (se chamam reuniões de planejamento). Após uma extensa pesquisa, realizada através de entrevistas semi-estruturadas - em geral durante "horas felizes" regadas a suco de cevada (hum... talvez por isso as entrevistas não tenham sido estruturadas completamente...); esse intrépido comentarista da vida organizacional que ora vos fala conseguiu identificar basicamente duas grandes categorias de reunião:

A Hidraúlica - onde o resultado é água: inodoro, insípido e incolor (com a sua sub-categoria principal a hidro-sanitária, cujos resultados são auto-evidentes)

e A Sexual - alguém sempre é alvo de intercurso sexual anal não-solicitado (ou seja, toma no c*)

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Motivação

- Carol, você apareceu quase todos os dias esta semana. Aqui estão alguns "dólares morais"
- Não é dinheiro de verdade, mas você pode trocá-los por brindes e serviços que você não quer ou precisa.
- Eu também te inscrevi numa rifa que você não ganhou

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Arrotar coca-cola alheia


Prática comum nas organizações e empresas onde um indivíduo, normalmente com uma soma de raciocínio superficial, poucos escrúpulos e um excelente marketing pessoal, assume os créditos (e os louros) pelo trabalho de outrem. Altamente recomendável para quem quer alcançar rapidamente os níveis de média gerência (onde sua mediocridade tornar-se-á patente, mas isso é uma outra história).

quarta-feira, 23 de maio de 2007


Pessoalmente, adorei “à procura da felicidade”. Principalmente por que apesar de ser um filme “de mensagem” é também um bom cinema. Fugindo um pouco das lições mais óbvias, como perseverança, tem uma frase no fim do filme que é muito interessante pras “pretensões” desse blog.

Quando, depois de comer o pão que o diabo amassou, o protagonista (vivido por will smith – e sim, o cara é surpreendentemente capaz de atuar) vai pra última entrevista e é informado que a vaga é sua, o entrevistador fala pra ele: “Me diga uma coisa, foi tão fácil quanto você fez parecer?”.

O filme é baseado em fatos reais, e como é um filme pra chorar, o cara passa por tudo quanto é barra pesada, até ter de dormir escondido no banheiro da estação de metrô com o filho pequeno. Mas, PARA OS POSSÍVEIS EMPREGADORES, ele nunca passou, seja de modo verbal ou não-verbal, outra imagem a não ser a de que tudo estava perfeito e de que ele era a pessoa certa a ser escolhida pra vaga, por que era o mais competente.

Nada de implorar, ou parecer esmagado pela vida – por mais que seja exatamente isso que se esteja passando. Recrutadores (e falo isso como um) só tem um QI dois pontos acima das amebas e samambaias. Eles não vão perceber as incríveis competências do candidato por baixo de todo aquele “derrotismo” – mesmo que esse derrotismo não seja nada além da depressão natural de se estar sem dinheiro, ter perdido a esposa, não ter onde morar e nem como alimentar seu filho.

O candidato não deve implorar à empresa, ou melhor, não deve dar essa impressão, nunca (mesmo que seja exatamente isso que ele ta fazendo o tempo todo por dentro).

quarta-feira, 16 de maio de 2007


Tá criado, depois eu posto de verdade